Arsenal campeão inglês: como era o mundo em 2004 a última vez que o clube ganhou a Premier League

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Messi estreava no Barcelona, Neymar ainda estava na base do Santos e o Orkut dominava a internet brasileira

O Arsenal voltou a conquistar a Premier League após mais de duas décadas, encerrando o jejum na temporada 2025/26 com 82 pontos depois do empate do Manchester City diante do Bournemouth por 1 a 1. O título imediatamente trouxe de volta a memória da última conquista inglesa do clube, alcançada em 2004 pelo histórico time comandado por Arsène Wenger. Aquela equipe entrou para a história ao vencer a Premier League sem perder uma única partida, algo que não acontecia no futebol inglês desde o Preston North End de 1889. Revisitar os “Invincibles”, porém, também significa revisitar um período que hoje parece distante até para quem viveu aquela época.

O Arsenal dominava a Inglaterra enquanto o mundo ainda vivia a era do Orkut, do MSN Messenger, dos DVDs e de um futebol que tinha Ronaldinho Gaúcho, Zidane, Ronaldo Fenômeno e Adriano Imperador como protagonistas.

O planeta vivia uma transição acelerada. A internet ainda dava seus primeiros passos como fenômeno de massa, os celulares eram usados basicamente para ligações e mensagens de texto, e o futebol europeu passava por uma mudança geracional que colocava jovens promessas ao lado de algumas das maiores estrelas da história do esporte.

Dentro de campo, o Arsenal dominava a Inglaterra liderado por Thierry Henry, Patrick Vieira, Robert Pirès e Dennis Bergkamp. A equipe terminou a Premier League de 2003/04 com 26 vitórias, 12 empates e nenhuma derrota.

Como era viver online em 2004


Enquanto isso, fora do futebol, 2004 era um mundo sem Instagram, TikTok ou smartphones. O Facebook acabava de nascer em fevereiro daquele ano, criado por Mark Zuckerberg dentro de Harvard sob o nome de “TheFacebook”. A plataforma ainda era limitada a universitários e parecia apenas mais uma experiência digital entre tantas da época.

No Brasil, o cotidiano online passava pelo Orkut e pelo MSN Messenger. O ritual de entrar no computador para conversar, mandar “chamar atenção” ou personalizar depoimentos fazia parte da rotina de milhões de pessoas. O Google ainda dava seus primeiros passos como gigante da tecnologia e lançava naquele ano o Gmail, serviço de e-mail que chamou atenção por oferecer 1 GB gratuito de armazenamento, algo considerado exagerado para a época.

A cultura pop vivia outra era


Na televisão, maio de 2004 marcou o encerramento de Friends, uma das séries mais populares da história. O episódio final virou evento global e simbolizou o fim de uma era da TV aberta norte-americana.

O cinema também atravessava um período de bilheterias gigantescas. Shrek 2 foi o filme mais assistido daquele ano, enquanto Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, lançado no Brasil e Spider-Man 2, dominavam os cinemas.

Na música, 2004 foi um período de forte presença do pop rock brasileiro nas rádios, nos programas de TV e nas trilhas sonoras da juventude da época. Charlie Brown Jr. seguia entre as bandas mais populares do país após o sucesso de discos como Bocas Ordinárias e Tamo Aí na Atividade. Detonautas Roque Clube ganhava espaço nacional, enquanto Rodox chamava atenção com Rodolfo Abrantes após sua saída dos Raimundos.

Bandas como Skank, Jota Quest e CPM 22 mantinham presença constante nas rádios, em um momento em que a música ainda dependia fortemente da televisão musical, das coletâneas em CD e das trilhas de novela para alcançar grandes públicos. Já Pitty começava a se consolidar como um dos principais nomes do rock nacional daquela geração.

No futebol, o mapa das grandes forças também era diferente. A Bola de Ouro daquele ano foi conquistada por Andriy Shevchenko após uma temporada dominante pelo Milan. O clube italiano reunia nomes como Kaká, Pirlo, Maldini, Seedorf e Nesta em um dos elencos mais técnicos da Europa.

Ronaldinho Gaúcho começava sua ascensão definitiva no Barcelona. Ainda antes de conquistar o prêmio de melhor jogador do mundo, já transformava partidas comuns em espetáculo com dribles, assistências e improvisos que recolocavam o clube catalão entre os protagonistas do continente.

Kaká havia acabado de chegar ao Milan e rapidamente virou peça central do time italiano. Já Ronaldo Nazário e Zinedine Zidane lideravam o chamado “Galácticos” do Real Madrid ao lado de Beckham, Figo e Roberto Carlos.

Na Itália, Adriano vivia talvez o auge físico da carreira defendendo a Inter de Milão. O atacante impressionava pela combinação de força, velocidade e potência de finalização.

Ao mesmo tempo, alguns jogadores que dominariam o futebol mundial nos anos seguintes ainda davam os primeiros passos.

O início da geração que mudaria o futebol

Lionel Messi tinha 17 anos e estreava profissionalmente pelo Barcelona usando a camisa 30. Ainda era visto como promessa das categorias de base e tinha poucos minutos entre os profissionais.

Cristiano Ronaldo já atuava pelo Manchester United, mas ainda aparecia como um ponta jovem, driblador e irregular. Naquele ano, perdeu a final da Eurocopa para a Grécia dentro de Portugal.

Neymar tinha apenas 12 anos e começava a chamar atenção nas categorias de base do Santos. Luka Modrić, aos 18, atuava emprestado no futebol da Bósnia tentando ganhar experiência física antes de retornar ao Dínamo Zagreb.

Curiosamente, embora o Arsenal tenha dominado a Inglaterra de forma invicta, o restante da Europa viveu uma temporada marcada por campeões improváveis. O Porto de José Mourinho venceu a Liga dos Campeões contra o Monaco, o Valencia conquistou o Campeonato Espanhol superando o Real Madrid, o Werder Bremen ficou com a Bundesliga e a Greece national football team chocou o continente ao vencer a Eurocopa.

Duas décadas depois, o Arsenal de 2004 continua funcionando como um marcador histórico não apenas para o futebol inglês, mas para uma geração inteira que cresceu entre MSN, Orkut, locadoras, DVDs e o início da internet moderna.

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