Exceção mais recente foi em 2020, edição impactada pela pandemia e disputada em partidas únicas em campo neutro, sem o formato clássico de ida e volta
As semifinais da Liga dos Campeões de 2026 estão definidas e trazem uma situação pouco habitual no futebol europeu: Arsenal x Atlético de Madrid e Bayern de Munique x Paris Saint-Germain compõem um cenário que não se via há quase duas décadas.
Pela primeira vez desde a temporada 2006/07, a principal competição de clubes do continente chega à penúltima fase, em seu formato tradicional de ida e volta, sem a presença simultânea de Real Madrid e Barcelona, protagonistas de uma era marcada por domínio nas fases decisivas do torneio. A ausência dos dois gigantes espanhóis rompe uma longa sequência histórica no continente.
Muitos torcedores podem lembrar de 2020 como um caso parecido. De fato, naquela edição nenhum dos dois chegou à semifinal. Mas o contexto era completamente diferente. A pandemia de Covid-19 obrigou a Uefa a adaptar o torneio para jogos únicos disputados em Lisboa, rompendo o formato tradicional de mata-mata com partidas de ida e volta. Por isso, ao considerar apenas o modelo clássico da competição, o intervalo entre 2007 e 2026 revela a dimensão de um domínio que atravessou gerações inteiras de torcedores.
Na temporada 2006/07, tanto Real Madrid quanto Barcelona foram eliminados ainda nas oitavas de final. O Barcelona, então campeão europeu, caiu diante do Liverpool após perder por 2 a 1 no Camp Nou e vencer por 1 a 0 em Anfield, resultado insuficiente por conta do critério de gols fora de casa, regra que à época definia eliminatórias equilibradas. O Real Madrid, por sua vez, foi superado pelo Bayern de Munique em um confronto lembrado até hoje pelo gol de Roy Makaay aos 10 segundos de jogo, o mais rápido da história da Champions League. Após vencer por 3 a 2 na Espanha, o clube merengue foi derrotado por 2 a 1 na Alemanha e se despediu precocemente da competição.
Para entender o tamanho do intervalo
A realidade daquela temporada ajuda a dimensionar o intervalo histórico. Em 2007, o Corinthians vivia o drama que culminaria em seu rebaixamento no Campeonato Brasileiro, enquanto o Palmeiras iniciava a era Caio Júnior em busca de reconstrução esportiva. Neymar tinha apenas 15 anos e sequer havia estreado profissionalmente. Lionel Messi era um jovem de 19 anos, ainda longe de construir o currículo que o transformaria em um dos maiores jogadores da história. Cristiano Ronaldo, então no Manchester United, ainda não havia conquistado sua primeira Champions League nem consolidado a identidade goleadora que definiria sua carreira.
As semifinais daquele ano reuniram Milan e Manchester United, além de Liverpool e Chelsea, confirmando uma Champions dominada pelos inglesas e italianos, cenário bem distinto da atualidade.
A partir de 2008, o panorama europeu passou a ser fortemente influenciado pela presença constante de Real Madrid e Barcelona entre os quatro melhores. O Barcelona alcançou as semifinais em três temporadas consecutivas entre 2008 e 2010, conquistando o título em 2009 sob o comando de Pep Guardiola. Entre 2011 e 2013, ambos os clubes figuraram simultaneamente na penúltima fase, consolidando uma rivalidade que se refletia também na hegemonia continental.
O Real Madrid iniciou em 2014 uma sequência que redefiniu o conceito de domínio ao conquistar quatro títulos em cinco anos, incluindo o tricampeonato consecutivo entre 2016 e 2018. O Barcelona, por sua vez, manteve protagonismo, incluindo o título de 2015 e presença nas fases decisivas ao longo da década.
Entre 2021 e 2024, o Real Madrid voltou a figurar repetidamente nas semifinais, conquistando títulos em 2022 e 2024. O Barcelona ainda alcançou a semifinal de 2025, prolongando uma tradição que parecia quase permanente.
Quase duas décadas depois, o futebol europeu volta a experimentar uma semifinal sem Real Madrid e Barcelona.
