Impedimento mal marcado contra a Itália, expulsão de Totti e dois gols anulados da Espanha geraram revolta
A campanha histórica da Coreia do Sul até a semifinal da Copa do Mundo de 2002 entrou para a história. Mas, para Itália e Espanha, o torneio deixou um sentimento completamente diferente: o de que foram eliminadas diretamente pelos anfitriões, em jogos consecutivos nas fases decisivas, marcados por erros graves de arbitragem que mudaram o rumo da competição.
Primeiro, a Coreia superou a Itália nas oitavas de final em um confronto cercado de polêmicas. Na sequência, nas quartas de final, voltou a avançar ao eliminar a Espanha, novamente em meio a decisões contestadas. As duas classificações seguidas contra europeus tradicionais geraram revolta imediata e, até hoje, são apontadas como alguns dos episódios mais controversos já vistos em Copas do Mundo.
O jogo que revoltou a Itália

Nas oitavas de final, a Itália enfrentou a Coreia do Sul em um duelo que ficou marcado pela atuação do árbitro equatoriano Byron Moreno. Na prorrogação, Tommasi saiu livre para marcar no gol de ouro, mas a arbitragem assinalou um impedimento inexistente. As imagens mostraram que o atacante estava em posição legal, o que impediria uma chance clara de classificação italiana.
Pouco antes, Francesco Totti havia sido expulso após cair dentro da área. O árbitro interpretou o lance como simulação e aplicou o segundo cartão amarelo, deixando a Itália com um jogador a menos em um momento decisivo.
Com inferioridade numérica, a equipe sofreu o gol de ouro e foi eliminada por 2 a 1, em um resultado que gerou forte reação no país. A Coreia do Sul seguia então para as quartas de final para enfrentar a Espanha.
A eliminação da Espanha e a escalada da polêmica

Na fase seguinte, contra os espanhóis, as decisões de arbitragem voltaram a ser determinantes.
A seleção espanhola teve dois gols anulados. O primeiro foi invalidado após a marcação de uma falta considerada inexistente. O segundo, que seria o gol da classificação, foi anulado após o assistente sinalizar que a bola havia saído pela linha de fundo em um cruzamento de Joaquín. As imagens mostraram que a bola permaneceu em campo.
A partida terminou sem gols e foi para os pênaltis. Durante as cobranças, o goleiro Lee Woon-jae se adiantou antes da batida de Joaquín, mas a infração não foi marcada.
A Espanha acabou eliminada, ampliando a repercussão das decisões.
As duas eliminações provocaram reações na imprensa europeia. Os jogos passaram a ser citados como exemplos de erros com impacto direto no resultado, levantando questionamentos sobre a condução da arbitragem no torneio.
A expressão de indignação tomou conta do noticiário esportivo, mostrando a percepção de que decisões decisivas haviam favorecido os anfitriões.
Anos depois, o árbitro Gamal Ghandour afirmou que não se arrependia de suas decisões, alegando ter seguido seu assistente. A declaração não reduziu as críticas.
A Coreia do Sul terminou a competição em quarto lugar após ser eliminada pela Alemanha na semifinal e perder para a Turquia na disputa pelo terceiro lugar.
