Relembre semifinais da Champions que viraram pesadelo mesmo com vantagem

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PSG abriu 3 gols de vantagem contra o Bayern nesta terça-feira, pelo jogo de ida semifinal da Champions, mas permitiu reação no jogo de ida e reacendeu lembranças de eliminações históricas de Barcelona, Ajax e Manchester City

A semana de semifinais da Champions League começou com um daqueles jogos que parecem resolvidos… até deixarem de ser. No Parque dos Príncipes, o PSG abriu 5 a 2 sobre o Bayern de Munique, com gols de Kvaratskhelia (24′ e 56′), João Neves (33′) e Ousmane Dembélé (45+5′ e 58′), e dava a impressão de que tinha liquidado a eliminatória diante da própria torcida. O Bayern, que já havia marcado com Harry Kane e Michael Olise, reagiu na reta final com Upamecano (65′) e Luis Díaz (68′), encostou no placar e fechou o jogo em 5 a 4, recolocando a semifinal em aberto.

Dizer que o PSG “amarelou” pode soar exagerado, mas é inegável que o time teve o controle nas mãos e deixou escapar o momento de matar o confronto. Na Champions, esse tipo de hesitação costuma cobrar um preço alto. E a história recente mostra que vantagens grandes, especialmente em semifinais, estão longe de garantir qualquer coisa.

Vamos relembrar:

O apagão do Barcelona em Anfield que virou história


Em 2019, o Barcelona chegou a Anfield com uma vantagem de 3 a 0 construída no Camp Nou e a confiança de quem tinha Messi em boa fase e um elenco experiente. Do outro lado, o Liverpool não contava com Salah e Firmino, mas encontrou na atmosfera do estádio uma força que mudou completamente o jogo. O gol de Origi, logo no início, não alterou o cenário do confronto no agregado, mas colocou pressão em um Barcelona que, aos poucos, começou a recuar mais do que deveria. O ponto de virada veio no início do segundo tempo, quando Wijnaldum marcou duas vezes em um intervalo de poucos minutos e transformou o que era controle em instabilidade. A partir dali, o time espanhol perdeu completamente o ritmo, passou a reagir atrasado às jogadas e demonstrou um nível de desorganização pouco comum para um elenco daquele nível. O quarto gol, em um escanteio cobrado rapidamente por Alexander-Arnold, encontrou uma defesa desatenta, praticamente parada, e simbolizou o apagão coletivo. O 4 a 0 não foi apenas uma virada histórica, mas a confirmação de um colapso em sequência de um time que não conseguiu lidar com a pressão crescente do jogo.

Ajax tinha a vaga nas mãos, mas seguiu jogando como se não tivesse

Na mesma semana, outra semifinal mostrou um roteiro diferente, mas com o mesmo desfecho. O Ajax era a grande surpresa daquela Champions, com um time jovem, ofensivo e que encantava pela forma de jogar. Sob o comando de Erik ten Hag, a equipe eliminou Real Madrid e Juventus e chegou à semifinal com identidade muito clara. O elenco tinha nomes que se destacavam não só pela qualidade, mas pela maturidade dentro de campo. Matthijs de Ligt, capitão aos 19 anos, comandava a defesa. No meio-campo, Frenkie de Jong era o responsável por organizar o jogo. No ataque, Dušan Tadić atuava como um falso 9 inteligente, enquanto Hakim Ziyech era um dos jogadores mais decisivos daquela campanha. Atrás, André Onana acumulava defesas importantes e sustentava a segurança do time nos momentos mais pressionados.

Dentro de campo, o Ajax parecia repetir o mesmo domínio. Após vencer o Tottenham por 1 a 0 em Londres, abriu 2 a 0 na volta, em Amsterdã, e foi para o intervalo com 3 a 0 no agregado. A classificação estava nas mãos. O detalhe que mudou a história foi a postura. Mesmo com a vantagem confortável, o time holandês manteve o mesmo estilo agressivo, continuou atacando e deixou espaços que não existiriam em um cenário de maior controle. O Tottenham cresceu, encontrou esses espaços e passou a acreditar. Lucas Moura marcou o primeiro, depois o segundo e, já nos acréscimos, fez o terceiro gol aos 96 minutos, completando um hat-trick e virando o confronto de forma improvável. O Ajax não perdeu apenas pela reação do adversário, mas por não adaptar o jogo ao contexto. Tinha a semifinal sob controle, mas seguiu se expondo quando o momento pedia outra leitura.

City perdeu a semifinal em dois minutos

Três anos depois, em 2022, foi a vez do Manchester City viver uma situação semelhante, mas em um intervalo ainda mais curto. Depois de vencer o Real Madrid por 4 a 3 na ida, o time de Pep Guardiola controlava o jogo de volta no Santiago Bernabéu e vencia por 1 a 0 até os minutos finais. A equipe inglesa administrava a posse de bola, limitava as ações do adversário e parecia encaminhar uma classificação segura. Aos 89 minutos, o cenário era de total controle. Mas, na Champions, especialmente contra o Real Madrid, o jogo raramente termina antes do apito final. Aos 90, Rodrygo empatou a partida e reacendeu o estádio. Pouco depois, marcou novamente e levou o confronto para a prorrogação. Em questão de segundos, o City saiu de uma situação confortável para um cenário completamente instável. O time perdeu a capacidade de controlar a bola, errou passes simples e passou a jogar sob pressão constante. Na prorrogação, Benzema converteu o pênalti que selou a classificação do Real Madrid, fechando uma das viradas mais rápidas e impactantes da história recente da competição.

Os três casos mostram um padrão claro. Em todos eles, havia um time com vantagem, controle do jogo e cenário favorável. E em todos os casos, esse controle se perdeu no momento mais decisivo. É preciso saber encerrar o confronto quando a oportunidade aparece. Porque, na Champions League, o “quase” costuma ser o começo do problema.

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