Qual foi a pior eliminação do Brasil nas quartas de final em Copas do Mundo?

Comparações Copa do mundo

Desde o pentacampeonato em 2002, foram 4 quedas nas quartas e apenas uma semifinal, marcada pelo 7×1


França, Holanda, Bélgica e Croácia têm algo em comum na história da seleção brasileira: todas foram responsáveis por interromper o sonho do hexa nas quartas de final. Desde 2002, quando conquistou o pentacampeonato, a seleção brasileira não chegou perto de levantar novamente a taça da Copa do Mundo.Ao longo desse período, o Brasil até apresentou elencos talentosos, fez boas campanhas nas eliminatórias e viveu momentos que resgataram a confiança do torcedor, mas acabou sendo eliminado por seleções europeias em momentos decisivos: foram quatro quedas nas quartas de final e uma na semifinal, no traumático 7 a 1.

Com esse histórico negativo, surge a pergunta: qual foi a derrota mais dolorida do Brasil em Copas do Mundo desde 2002, desconsiderando o 7×1 contra a Alemanha em 2014? Para entender o peso de cada eliminação, é preciso revisitar o contexto de cada ciclo, as expectativas criadas em torno de cada seleção e o impacto que cada queda teve na memória do torcedor brasileiro.

2006: a seleção que parecia imbatível… no papel

Na Copa de 2006, o Brasil chegou à Alemanha cercado por enorme expectativa. A base da seleção era formada por jogadores que viviam grande momento em seus clubes europeus, e o técnico Carlos Alberto Parreira apostou na manutenção de um elenco experiente, campeão mundial em 2002, combinado a novos talentos que surgiam como protagonistas no futebol internacional. O chamado “quadrado mágico”, formado por Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Kaká e Adriano, mostrava a expectativa de um futebol ofensivo, enquanto Robinho aparecia como opção no banco de reservas.

Na fase de grupos, o Brasil confirmou o favoritismo ao vencer Croácia, Austrália e Japão, avançando sem grandes sustos. Nas oitavas de final, superou Gana por 3×0, em uma partida que reforçou a impressão de que o time evoluía dentro do torneio. Ronaldo, inclusive, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas até então, ampliando a confiança de que a seleção poderia chegar longe.

O cenário mudou nas quartas de final contra a França. Liderada por Zinedine Zidane e Thierry Henry, a equipe europeia apresentou um jogo coletivo muito organizado e neutralizou os principais jogadores brasileiros. O Brasil teve dificuldades para criar oportunidades claras e demonstrou pouca intensidade em campo. A derrota por 1×0, com gol de Henry após cobrança de falta de Zidane, expôs a falta de equilíbrio tático e marcou uma das atuações mais criticadas daquela geração.

A eliminação representou o encerramento de um ciclo importante da seleção brasileira. Alguns dos principais nomes daquele elenco não voltariam a disputar uma Copa do Mundo em alto nível. O desempenho abaixo das expectativas também resultou na saída de Parreira do comando técnico, abrindo espaço para um novo processo de reformulação que culminaria na chegada de Dunga como treinador.

A frustração daquela eliminação marcou o início de uma sequência de quedas nas quartas de final que passaria a acompanhar o Brasil nas edições seguintes do torneio.


O dia em que a vantagem virou nervosismo em  2010

Em 2010, o cenário se repetiu. O Brasil novamente chegava como campeão da Copa das Confederações do ano anterior, desta vez sob o comando de Dunga. Sem os chamados “medalhões” de 2006, a equipe era liderada por Kaká, Robinho, Luis Fabiano e Julio Cesar, formando um time competitivo e considerado um dos favoritos ao título. Na primeira fase, venceu Coreia do Norte e Costa do Marfim, além de empatar com Portugal. Nas oitavas de final, superou o Chile sem grandes dificuldades, avançando para mais uma disputa de quartas contra uma potência europeia.

A adversária era a Holanda, que contava com destaques como Wesley Sneijder e Arjen Robben, ambos finalistas da Liga dos Campeões daquela temporada, na decisão entre Inter de Milão e Bayern de Munique. O Brasil começou bem e abriu o placar com Robinho, após grande passe de Felipe Melo, aumentando a confiança da torcida, que já vislumbrava uma possível semifinal contra o Uruguai.No entanto, o segundo tempo ficou marcado por uma queda brusca de rendimento. A Holanda empatou após cruzamento de Sneijder, em um lance de desentendimento entre Felipe Melo e Julio Cesar. Pouco depois, novamente Sneijder marcou de cabeça, virando o jogo para 2×1. Aos 28 minutos da etapa final, Felipe Melo foi expulso após falta em Robben, selando mais uma eliminação brasileira nas quartas de final.

A derrota representou o encerramento do ciclo de Dunga no comando da seleção e reforçou o debate sobre a identidade do futebol brasileiro.

Um time competitivo que parou no quase 2018

Após o trauma histórico da derrota para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014, a seleção brasileira iniciou um novo ciclo sob o comando de Tite com a missão de recuperar a confiança do torcedor e reconstruir a identidade competitiva da equipe. O trabalho nas eliminatórias foi consistente e trouxe novamente a sensação de estabilidade, com um time organizado taticamente.

A equipe contava com o protagonismo de Neymar, que chegava como principal referência, além da presença de jogadores importantes como Philippe Coutinho, Gabriel Jesus, Willian e Casemiro. 

Na fase de grupos, o Brasil enfrentou Suíça, Costa Rica e Sérvia. Após um início com empate diante da Suíça, a seleção venceu Costa Rica e Sérvia.

Nas oitavas, o Brasil enfrentou o México e venceu por 2×0. Nas quartas de final, porém, o adversário foi a Bélgica, considerada uma das seleções mais fortes daquela geração. O time belga contava com jogadores de alto nível como Kevin De Bruyne, Eden Hazard e Romelu Lukaku.

O Brasil sofreu o primeiro gol após desvio contra de Fernandinho em cobrança de escanteio. Pouco depois, De Bruyne ampliou o placar em um contra-ataque veloz, colocando a Bélgica em vantagem de 2×0 ainda no primeiro tempo. A seleção brasileira encontrou dificuldades para furar o bloqueio defensivo adversário e foi para o intervalo em desvantagem.

Na segunda etapa, o Brasil conseguiu diminuir com Renato Augusto, reacendendo a esperança de empate. O próprio meio-campista teve uma grande oportunidade de marcar novamente ao ficar frente a frente com o goleiro Thibaut Courtois, mas finalizou para fora. A equipe ainda reclamou de um possível pênalti em lance envolvendo Gabriel Jesus, mas a arbitragem optou por não marcar a infração e nem checar o lance no VAR.A eliminação marcou mais um capítulo da sequência de quedas nas quartas de final e gerou questionamentos sobre a capacidade da seleção brasileira de transformar boas campanhas em resultados decisivos. O ciclo de Tite foi mantido para 2022, mas a derrota para a Bélgica reforçou a percepção de que, mesmo com um elenco qualificado e competitivo, o Brasil continuava encontrando dificuldades justamente no momento em que os favoritos costumam se afirmar.

O contra-ataque que adiou o hexa mais uma vez em 2022

Crédito: Nelson Almeida/AFP

Em 2022, novamente sob o comando de Tite, o Brasil chegava com um elenco forte, contando com nomes como Raphinha, Vinícius Júnior, Neymar e Richarlison. Na fase de grupos, enfrentou Sérvia, Suíça e Camarões, vencendo as duas seleções europeias e perdendo para a africana. Nas oitavas de final, protagonizou uma grande atuação ao vencer a Coreia do Sul por 4×1, aumentando a confiança da torcida.

Nas quartas de final, o adversário foi a Croácia. Em teoria, entre França, Holanda, Bélgica e Croácia, era o confronto considerado mais acessível para quebrar o trauma das quartas e voltar a uma semifinal, possivelmente contra a Argentina.

O jogo, no entanto, foi extremamente truncado e terminou 0x0 no tempo normal. Na prorrogação, Neymar marcou um belo gol após jogada individual, reacendendo a esperança de classificação. Faltando poucos minutos para o fim, porém, o Brasil sofreu um contra-ataque e acabou cedendo o empate. A decisão foi para os pênaltis.

Rodrygo e Marquinhos desperdiçaram suas cobranças, Alisson não defendeu nenhuma penalidade, e o Brasil foi eliminado mais uma vez nas quartas de final, novamente por uma seleção europeia.

Com quatro eliminações nas quartas de final e uma derrota traumática na semifinal de 2014, sempre para os europeus, o sonho do hexa parece cada vez mais distante. Diante de tantos momentos frustrantes, torna-se difícil apontar qual eliminação foi a mais dolorosa ou qual delas deixou o Brasil mais longe da taça.

Para 2026, a seleção terá um técnico europeu e pode não contar com Neymar entre os protagonistas. Ainda assim, chegar às quartas de final parece quase uma obrigação para um país com a tradição do Brasil. A grande questão é saber se finalmente será possível quebrar o trauma dessa fase e voltar a disputar uma semifinal após mais de uma década.

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