A história do futebol costuma ser marcada por ciclos, mas poucos são tão dramáticos quanto o da seleção italiana em Copas do Mundo. Tetracampeã mundial, a Azzurra acumula uma sequência rara de frustrações: eliminada ainda na fase de grupos em 2010 e 2014, ficou fora das edições de 2018, 2022 e 2026 após quedas nas repescagens contra Suécia, Macedônia do Norte e, agora em 2026, Bósnia e Herzegovina. O período sacramenta um intervalo de 16 anos sem presença no principal torneio do futebol mundial, momento difícil para uma das seleções mais tradicionais da história da competição.
A última vitória da Itália em um jogo de mata-mata de Mundial aconteceu há quase duas décadas, na semifinal da Copa do Mundo de 2006, contra a Alemanha. Naquela edição, a Azzurra conquistou o tetracampeonato mundial, porém a partida terminou empatada por 1 a 1 com a França e foi decidida nos penalidades. A partir disso, a Azzurra nunca mais voltaria a vencer partidas eliminatórias no principal torneio do futebol mundial.
Jogo que marcou o último triunfo eliminatório

O confronto contra a Alemanha, disputado em Dortmund, reuniu duas das seleções mais tradicionais da história das Copas. O empate por 0 a 0 no tempo normal refletiu o equilíbrio de um jogo equilibrado.
A decisão parecia encaminhada para os pênaltis até os minutos finais da prorrogação, quando surgiu um dos lances mais emblemáticos daquele Mundial. Aos 119 minutos, Andrea Pirlo recebeu a bola na entrada da área após escanteio afastado pela defesa alemã e encontrou Fabio Grosso com um passe preciso, praticamente sem olhar, deslocando toda a marcação.
O lateral finalizou de primeira, com a perna esquerda, colocando a bola no ângulo de Jens Lehmann e abrindo o placar. A comemoração de Grosso, correndo incrédulo pelo gramado, tornou-se uma das imagens marcantes daquela Copa.
Com a Alemanha lançada ao ataque em busca do empate, a Itália aproveitou o espaço nos minutos finais. Fabio Cannavaro iniciou o contra-ataque com duas antecipações defensivas, a bola passou por Totti e Gilardino até chegar a Alessandro Del Piero, que finalizou para fechar o placar em 2 a 0.
A vitória eliminou a seleção anfitriã e consolidou a última vez em que a Itália venceu um confronto eliminatório em Copas do Mundo. Cinco dias depois, em Berlim, a equipe comandada por Marcello Lippi conquistaria o tetracampeonato mundial.
Após o título de 2006, a Itália passou a enfrentar dificuldades para repetir o mesmo nível competitivo em Copas do Mundo. A equipe foi eliminada ainda na fase de grupos em 2010 e 2014, sendo que a última vitória italiana, aconteceu na edição disputada no Brasil, quando venceu a Inglaterra por 2 a 1, mas não conseguiu a classificação para a fase eliminatória.
Nos ciclos seguintes, a situação se tornou ainda mais incomum para uma seleção tetracampeã mundial, que nunca mais conseguiu se classificar para a Copa do Mundo.
