Por que a Inglaterra fracassa em Copas mesmo tendo a liga mais rica do mundo

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De Beckham a Kane, erros individuais e coletivos marcaram a trajetória recente da seleção

A seleção da Inglaterra chega ao ciclo da Copa de 2026 cercada por um paradoxo que se arrasta há décadas. Dono do campeonato nacional mais lucrativo do mundo, com receitas superiores a 6 bilhões de libras por ciclo de direitos de transmissão, o país que ajudou a inventar o futebol não conquista um título mundial desde 1966. De lá para cá, se estabeleceu uma trajetória marcada por eliminações frequentes em fases decisivas, quase sempre associadas a falhas disciplinares, limitações táticas ou episódios pontuais que definiram os jogos.

O padrão se repete desde a virada do século. A Inglaterra não disputou a Copa do Mundo de 1994, e retornou ao torneiro na Copa de 1998, quando caiu nas oitavas diante da Argentina após empate por 2 a 2 e disputa por pênaltis. O jogo ficou condicionado à expulsão de David Beckham, ainda no início do segundo tempo, após revide em Diego Simeone. Com um jogador a menos, a equipe resistiu, mas foi superada nas cobranças finais.

Quatro anos depois, na Copa do Mundo FIFA 2002, o adversário foi o Brasil. A Inglaterra abriu o placar com Michael Owen, mas sofreu a virada após falha de posicionamento do goleiro David Seaman em cobrança de falta de Ronaldinho Gaúcho. Mesmo com vantagem numérica na reta final, após a expulsão do brasileiro, a equipe não conseguiu reagir ofensivamente.

Na Copa do Mundo de 2006, considerada o auge da chamada “geração de ouro”, o roteiro se repetiu. O empate sem gols contra Portugal terminou em nova eliminação nos pênaltis. Wayne Rooney foi expulso, e nomes centrais como Frank Lampard e Steven Gerrard desperdiçaram suas cobranças.

A derrota por 4 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo de 2010 adicionou um componente simbólico à sequência de frustrações. Um gol legítimo de Lampard, que empataria a partida, não foi validado pela arbitragem. A partir dali, a equipe inglesa foi dominada pela velocidade do adversário.

Mais recentemente, na Copa de 2022, a Inglaterra voltou a cair diante da França nas quartas de final, apesar de superioridade em posse e finalizações. O ponto de inflexão foi o pênalti desperdiçado por Harry Kane, que isolou a cobrança aos 84 minutos.

Semifinal como ponto fora da curva

A Inglaterra voltou a figurar entre as principais seleções ao alcançar a semifinal da Copa do Mundo de 2018, quando foi derrotada pela Croácia por 2 a 1, na prorrogação. A campanha, a melhor do país em Copas desde 1990, representou um ponto fora da curva em um histórico recente marcado por eliminações precoces em fases decisivas, mas mesmo assim, não conseguiu chegar a final e com um adversário que não parecia tão forte, o sentimento foi de decepção.

Ciclo de 2026 e seus protagonistas

Para a Copa de 2026, a Inglaterra aposta na experiência de Thomas Tuchel para liderar uma geração que combina alto valor de mercado com protagonismo em clubes de elite. O principal nome segue sendo Harry Kane, atacante do Bayern de Munique, que vive fase goleadora na Alemanha e busca seu primeiro título com a camisa inglesa. Ao seu lado, Jude Bellingham, destaque do Real Madrid. No meio-campo, Declan Rice, do Arsenal, se consolidou como um dos volantes mais regulares da Premier League. Na criação, Phil Foden, do Manchester City, pode ser a esperança de gols e jogadas individuais para os ingleses.
A combinação desses nomes mostra uma geração que chega mais madura e testada em grandes competições, mas ainda pressionada por transformar desempenho individual em conquista coletiva.

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